Estágios do desenvolvimento humano

          Construímos esta etapa do texto fundamentando-nos principalmente em Galvão (1995) e em Habdam (1998), ambos com um “discurso” diferenciado.

          Como se sabe, Wallon publicou as etapas do Desenvolvimento Humano em textos diferenciados, cabendo aos seus estudiosos compilarem. Talvez, por isso, encontramos terminologias diferentes.

 

Gênese da inteligência: (Re)Visão

          A gênese ou origem da inteligência para Wallon é genética e organicamente social. Isso então significa que "o ser humano é organicamente social e sua estrutura orgânica supõe a intervenção da cultura para se atualizar" (Dantas, 1992).

          Então, o Desenvolvimento Cognitivo de Wallon é centrada na Psicogênese da pessoa completa ou total.

          Henri Wallon reconstruiu o seu modelo de análise ao pensar no Desenvolvimento Humano, estudando-o a partir do Desenvolvimento Psíquico da criança.

          Nesse contexto teórico, o Desenvolvimento da criança aparece descontínuo, marcado por contradições e conflitos, resultado da maturação e das condições ambientais, provocando alterações qualitativas no seu comportamento em geral.

          Wallon realiza um estudo que é centrado na criança contextualizada, isto é, posta no ambiente imediato, social e histórico. Nesse contexto onde a criança é estudada considera-se o ritmo no qual se sucedem as etapas do desenvolvimento.

          Essas etapas são descontínuas. Elas trazem em si mesmas as marcas dos conflitos, dos movimentos dialéticos, das rupturas ou cortes vivenciados, retrocessos e reviravoltas etc. Esses “conflitos” – pertencentes ao próprio crescimento humano – provocam em cada etapa, profundas mudanças nas anteriores.

          A passagem dos estágios de desenvolvimento não se dá linearmente, por ampliação. Ela ocorre por reformulação, instalando-se no momento da passagem de uma etapa a outra, crises que afetam a conduta da criança.

          Conflitos se instalam nesse processo e são de origem ambiental – de fora para dentro - quando resultantes dos desencontros entre as ações da criança e o ambiente exterior.

          O ambiente exterior ou exógeno é construído e estruturado pelos adultos e pela cultura. Já o ambiente endógenos – interno – é, segundo Galvão (1995), produzido pelos efeitos da maturação nervosa – Sistema Nervoso Autônomo: SNA e Sistema Nervoso Periférico: SNP.

          Esses conflitos são propulsores ou estimuladores do Desenvolvimento/ Aprendizagem Humanos.

Cinco estágios em Galvão (1995)

         Os cinco estágios enunciados e descritos em Galvão (1995) mostram como Wallon apreendia o Desenvolvimento Humano.

         Galvão (1995) utiliza a seguinte terminologia acerca das etapas do Desenvolvimento Humano segundo Wallon:

1)  Impulsivo-emocional;
2)  Sensório-motor e projetivo;
3)  Personalismo;
4)  Categorial;
5)  Predominância funcional.

         Agora vamos apresentar esses estágios, que Galvão (1995) afirma que sucedem-se em fases com predominância afetiva e cognitiva:

1)  Impulsivo-emocional , que ocorre no primeiro ano de vida. A predominância da afetividade orienta as primeiras reações do bebê às pessoas, às quais intermediam sua relação com o mundo físico;

2)  Sensório-motor e projetivo , que vai até os três anos. A aquisição da marcha e da apreensão, dão à criança maior autonomia na manipulação de objetos e na exploração dos espaços. Também, nesse estágio, ocorre o desenvolvimento da função simbólica e da linguagem. O termo projetivo refere-se ao fato da ação do pensamento precisar dos gestos para se exteriorizar. O ato mental "projeta-se" em atos motores. Como diz Dantas (1992), para Wallon, o ato mental se desenvolve a partir do ato motor;

3)  Personalismo , ocorre dos três aos seis anos. Nesse estágio desenvolve-se a construção da consciência de si mediante as interações sociais, reorientando o interesse das crianças pelas pessoas;

4)  Categorial , onde os progressos intelectuais dirigem o interesse da criança para as coisas, para o conhecimento e conquista do mundo exterior;

5) Predominância funcional, onde ocorre nova definição dos contornos da personalidade, desestruturados devido às modificações corporais resultantes da ação hormonal. Questões pessoais, morais e existenciais são trazidas à tona.

        Na sucessão de estágios há uma alternância entre as formas de atividades e de interesses da criança, denominada de "alternância funcional", onde cada fase predominante (de dominância, afetividade, cognição), incorpora as conquistas realizadas pela outra fase, construindo-se reciprocamente, num permanente processo de integração e diferenciação.

 

Cinco etapas em Hamdan (1998)

         Hamdan (1998) descreve as etapas do desenvolvimento psicomotor segundo Wallon. Vamos segui-lo literalmente:

         As etapas do desenvolvimento psicomotor na teoria de Wallon compõem um quadro em um total de cinco etapas não rígidas, mas dialéticas, isto é, em constantes movimentos. Essas etapas estão “espalhadas” em várias de suas obras, o que dificulta descrever a única correta. Hamdan (1998) assim descrevem-nas:

1)  Estágio da motilidade pré-natal;
2)  Estágio da impulsividade;
3)  Estágio emocional;
4)  Estágio sensório-motor;
5)  Estágio projetivo ou dos ideomovimentos;

 

1. Estágio da motilidade pré-natal

         Trata-se de um período anterior ao nascimento. No período embrionário ocorrem as contrações autônomas e, no período fetal, os primeiros movimentos ativos.

 

2. Estágio da impulsividade

         Este estágio correspondente ao período que vai do nascimento até o primeiro mês de vida. Aqui os movimentos são automáticos e ligados às reações reflexas.

         É comum a ocorrência de descargas motoras devido à maturação do sistema nervoso. As atividades musculares tônicas e clônicas estão indiferenciadas.

         A simbiose é a característica predominante. Inicialmente a simbiose é orgânica em posteriormente, passa a afetiva. Segundo Wallon, a presença do outro (pessoa) torna possível a maturação dos sistema nervoso (SN) e, consequentemente, do desenvolvimento psicomotor;

3. Estágio emocional

         Estágio que compreende o período entre o segundo mês e o primeiro ano de vida.

         Ele é identificado pela maturação dos centros corticais, principalmente das áreas que regulam o tônus muscular.

         O tônus, como já falamos, está ligada às reações emocionais.

         As emoções são o resultado das variações tônicas e posturais que se manifestam em diferentes atitudes.

         As emoções têm um papel importante na estruturação do psiquismo;

4. Estágio sensório-motor

         Esse estágio começa quando a criança conquista a autonomia de andar e de manipular objetos (por volta do primeiro ano de vida) e se prolonga até a metade do segundo ano.

         Em muitas crianças este estágio e explosivo, porque sentem necessidade de ampla investigação do mundo a sua volta.

         Diferentemente das fases anteriores, encontramos aqui as sensibilidades que são exteroceptivas, significando que os sentidos orientam as ações da criança.

         Ocorre com relativa freqüência as reações em eco, como nas ecolalias e nas ecocinesias. ligadas a reações subcorticais e automáticas.

         A inteligência está associada às atividades de manipulação de objetos, por isso é chamada também da inteligência prática.

         A representação tem suas origens nesta fase, através da capacidade da criança de imitar e de fazer uso da linguagem.


5. Estágio projetivo ou dos ideomovimentos

         Esse estágio ocorre a partir da fase anterior e se prolonga até o terceiro ano. Tem como correlato a maturação dos centros piramidais responsável pela motricidade e pela linguagem.

         Este estágio termina com o advento da consciência objetiva e da representação autônoma.

         É o momento da passagem da ação ao pensamento.

         Esta passagem não é feita de modo linear mas, sim, de maneira descontínua, contraditória e conflituosa.

         Inicialmente, não há uma separação entre o movimento, manifestado através de gestos e palavras, e a representação mental.

         A criança pensa e age ao mesmo tempo, como observamos nas brincadeiras infantis.

         Somente depois da maturidade cortical é que o pensamento inibe a ação do movimento.

         Nesta fase a criança completa a sua compreensão do Esquema Corporal.

 

Estágios em Wallon segundo Francisco Filho

         Geraldo Francisco Filho (2002) diz que em Wallon a construção do EU é realizada em fases.

         Na fase Centrípeta e Anabólica : predomina o aspecto afetivo do desenvolvimento, que é direcionado para o centro, predominando sobre o racional ;

         Na fase Centrífuga e Catabólica : a inteligência domina. Ela é puxada ou direcionada para o centro. Assim, nesse movimento, as emoções diminuem as suas participações.

         Wallon ai, valoriza o aspecto referente ao percentual de emoção e de razão de pessoa para pessoa, que o eqüilibrio dificilmente acontece.

 

O estágio de desenvolvimento humano em Wallon

         Estágio Sensório-Motor: até aos 02 anos de idade; período de Inteligência Prática .

         Dos 02 aos 05 anos de idade: Período Síncrético . Aqui a fala/linguagem é um fato real; iniciam-se os diálogos e as funções projetivas; mistura os conceito.

         Dos 05 aos 09 anos de idade, aproximadamente: Período do Pensamento Categorial.

         Dos 09/10 anos de idade em diante: Período do Pensamento Conceitual ,.Nasce no ser humano, implantando nele, valores socialmente aceitos – pelo menos numa sociedade democrática como a França: respeito mútuo; senso de justiça; igualdades de direitos. Nesse período é que se inicia a puberdade (marca psicofisiológica: no homem a masturbação; na mulher a mestruação).

         Por ser marxista, Wallon destaca que essas etapas não rígidas, sendo a construção do EU essencialmente dialética, isto é, continua em movimentos constantes e contraditórios, duante toda a existência humana.

         O conhecimento pois não é linear e a autonomia está diretamente relacionada com os limites da organicidade e os construídos pela sociedade e história humana.

         A verdade é pois em Wallon, algo subjetiva, pois cada pessoa tem a sua e é histórica porque se transforma ao lonfo do tempo.

         O método de investigação escolhido pela pessoa – cientista, por exemplo – determina o que é a verdade a ser aceita e a relação entre os sujeitos é sempre permeada pela contradição – movimentos constantes.

 

OBJETIVO 18

Voltar ao sumário